domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tempo é Dinheiro!

Considerando os fundamentos e as bases do capitalismo e buscando contrastar seus eixos de sustentação, tanto quanto como ele se distingue de seus falecidos opositores, a saber: comunismo e socialismo, poderíamos ingenuamente acreditar que um dos elementos distintivos seria a “propriedade dos meios de produção”. Enquanto no capitalismo a propriedade dos meios de produção é privada, no socialismo ela é do estado e no comunismo a propriedade é “comum”. Ocorre que o eixo central do capitalismo foi-se deslocando ao longo do tempo. Na medida em que se deu um natural equilíbrio entre produção e consumo, claro que mediado pelo dinheiro, isto é, na medida em que havia uma redução do consumo regulado pela oferta de dinheiro. A produção já não proporcionava ganho competitivo aos seus proprietários. Era preciso dar um passo a mais. Não adiantaria produzir mais, pois isso acarretaria uma natural queda de valor pela maior oferta em relação à procura. Por um tempo se trabalhou no sentido de reter a produção com vistas a aumentar o valor de mercado, mas isso provocou apenas recessão e não se mostrou como uma alternativa interessante. Foi ai, então descoberta a variável do consumo. Como conhecer o consumo de modo à regular, isto é, aumentar e reduzir, ter controle sobre ele? Ciência da computação, estatísticas entre outras foram talhadas para obter esse conhecimento sobre consumo de tal modo a ter controle sobre o mesmo. Grandes empresas realizam pesquisas antes do lançamento de novos produtos e por ai vai. A partir disso nasceram os fast-foods o descartável e tudo mais. A propaganda é um excelente órgão regulador. Ela tem a capacidade de trabalhar nosso desejo de modo a atingir determinada meta de consumo. Os profissionais de propaganda ainda desconhecem seu poder e anda trabalham muito em função da produção e do comercio. Tivessem eles a real dimensão de sua atuação e seriam os novos proprietários do capitalismo, mas de qualquer modo isso retirou a primazia dos proprietários da produção. Na medida em que a propaganda não ocupou esse espaço promoveu uma vacância temporária. Os senhores da produção perderam seu reinado, seus sucessores naturais não se sentiram dignos de sucedê-los. Quem assume a majestade então?
Entre a produção e o consumo não há mais uma regulação natural. Ela pode ser controlada e manipulada. Todavia, existe outro elemento regulador. O dinheiro! De nada adianta aumentar o desejo de consumo pari passo com o aumento da produção se não existe dinheiro para mediar as duas pontas. Estabelecem-se assim os novos monarcas: os proprietários do dinheiro. A partir de então serão eles os reguladores, tanto da produção quanto do consumo. Os proprietários da produção precisarão recorrer a eles para aumentar sua produção. Na outra ponta, a falta de dinheiro não será mais empecilho para o consumo. Ao consumidor serão ofertados os meios para saciar temporariamente seu desejo de consumo.
Na medida em que emprestam dinheiro para a produção tornam-se co-proprietários dela. Se o proprietário da produção não puder pagar o empréstimo, sempre poderá abrir mão do negócio como meio de não cair na execração da inadimplência. O mesmo ocorre com a outra ponta se o consumidor não puder saldar sua promessa será obrigado a ficar fora do jogo do consumo, ou, quando muito, será obrigado a lançar mão dos recursos disponíveis no presente não sendo ele mais senhor de seu futuro, totalmente comprometido com seus novos proprietários. Financiar nossas aquisições em 36, 48 ou mais vezes é vender a propriedade do nosso futuro. Em momento algum da história o termo “tempo é dinheiro” foi mais verdadeiro.

Jadir Mauro Galvão

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Avanço tecnológico X filosofia!

A competitividade no mundo corporativo movimenta uma grande quantidade de recursos, sobretudo os que se alinham ao desenvolvimento tecnológico. O ganho de produtividade, a redução de custos, de mão de obra, mecanização, automação... Isso, sem a menor sombra de dúvida é bastante benéfico sob inúmeros aspectos. Todavia, devemos ter em mente que os avanços tecnológicos devem trazer benefícios, não só a uma pequena parcela de privilegiados, mas sim para toda a humanidade. Pode parecer um tanto piegas a princípio, mas vamos analisar as conseqüências disso.

Hoje nos temos alguns setores em franco crescimento tecnológico. Quem negará que a informática cresce espantosamente? Eu, de minha parte ainda creio que a informática está sobremodo atrasada. Seria exagero dizer que está na idade da pedra, mas ela ainda anda meio “egípcia” e não estou falando de nenhuma revolta popular muçulmana. São famosos os afrescos egípcios “bidimensionais” uma mãozinha pra cima outra pra baixo. (conseguem visualizar?). Poderíamos dizer que na época os que produziram os afrescos não dominavam as técnicas da “perspectiva”. Eu, honestamente, creio que eles tinham mesmo um modo de pensar, de ver as coisas e de se expressar de modo bidimensional. É exatamente esse ponto que eu quero tocar. Embora nossos desenhistas e pintores já dominem a “perspectiva” que nos coloca dentro da tridimensionalidade. Nós ainda pensamos, vemos as coisas e nos expressamos de modo bidimensional. Na informática isso não é diferente. Os modernos monitores de cristal líquido (que já existiam em calculadoras desde a década de 80 ao menos) e similares substituíram os antigos e enormes monitores de raios catódicos. Mas nossa interação com o computador ainda é plana! Mas não é somente na parte externa que o computador é plano. Os mais modernos bancos de dados ainda trabalham com armazenamentos em tabelas com linhas e colunas, ou seja, são conceitualmente planas. Mas isso não é somente uma crítica à área de TI. Ela é assim simplesmente pelo fato de que nós ainda pensamos assim. A tecnologia avança sobre as bases conceituais. Se conceitualmente pensamos desse modo solicitamos respostas tecnológicas alinhadas aos conceitos. Precisamos evoluir primeiro no nosso modo de pensar (no mínimo de modo tridimensional), para que a tecnologia nos de outro tipo de resposta. Na medida em que nossa solicitação for conceitualmente outra, a resposta tecnológica também o será.

Outro ponto que podemos colocar é: quantas pessoas ao redor do mundo estão pensando na solução para o trânsito nas grandes metrópoles? Centenas...milhares...milhões? Já pensaram em túneis, pontes, viadutos, aliás as técnicas de engenharia para a construção de viadutos “estaiados” vem se multiplicando em várias regiões de São Paulo criando mais e mais cartões postais. E ainda não pensaram em pequenos veículos aéreos! Ou melhor, podem até ter pensado, mas para adequar todas as linhas de produção de veículos terrestre para esse novo modelo, certamente se gastariam bilhões, então ficamos como está.

Não quero me estender muito nesse assunto, mas cabe ainda mais um comentário. Li, dia desses em um jornal, que o aproveitamento da energia eólica (dos ventos) necessitaria de grandes investimentos! Pasmem! Certamente não sou especialista no assunto, até gostaria que alguém me explicasse, mas dizer que umas tantas hélices e seus geradores e transformadores custariam mais do que os investimentos em Belo Monte sem contar com seus impactos ambientais?

Só para fechar. O que estou dizendo é que se os avanços tecnológicos ficarem somente à mercê do capital e não em benefício da humanidade como um todo, ao contrário do que se pensa, ficaremos mais atrasados.

Jadir Mauro Galvão 
02/02/2010

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ganho competitivo.

A maior parte de nós nasceu, cresceu e vive mergulhado no capitalismo. (A maior parte, pois podem existir aqueles que passaram pelos horrores vindos do outro lado da antiga “cortina de ferro”.) E, por isso, o capitalismo é tido por muitos, tão natural quanto “respirar ar”. É assim que funciona! E de outro (comunismo) não funciona! Os que lançaram seus olhos na história sabem que o capitalismo tem quase que um registro de nascimento e nem tão absurdamente longínquo assim. Poderíamos colocar a “revolução francesa” concomitante com a “revolução industrial”, como sendo seu signo astrológico.


Não muito longe dessa época, ganham espaço as idéias evolucionistas de Darwin e suas mais diferentes, inusitadas e quiméricas leituras. Surge nesse molho filosófico a competitividade no capitalismo, com força evolucionista. É mais “adaptado” aquele que é mais competitivo e somente este sobrevive. Uma profunda crise econômica assolava a Europa em fins do sec. XIX. Havia mercado para a venda dos produtos fabricados, mas uma horda de pobres europeus de diversas nacionalidades não tinha dinheiro para comprar nada. Essa legião de des-endinheirados migra, então, para o nosso querido Brasil. Foram alemães, italianos, espanhóis, portugueses. (bem digam a maioria de nossos antepassados. Os meus eram alemães misturados com franceses mais portugueses e índios canibais de Ubatuba. Que salada!). Junto desses vieram também muitas empresas dessas mesmas regiões. Krupp, Manesmann, Siemens, Saint Gobain, entre tantas outras. Esses imigrantes vieram para fugir da pobreza européia da época e de sua falta de oportunidade. Fugir da fome e da morte e isso tudo antes das duas grandes guerras mundiais.   

Entrelaçando rápida e temerariamente os assuntos, o fato é que hoje, nosso imigrante mais conhecido, o capitalismo, se arraigou de tal modo nas nossas consciências que salvo uma abnegada disposição para mudar muita coisa, somente uma lobotomia daria cabo de retirar e com ele seus alicerces. De modo que é preciso um modo de ver a vida bastante diferente para abrir mão da competitividade e adotar uma postura fraternalista.

Sem querer entrar no mérito dos antagônicos pensamentos de Hobbes e Russeau, creio que temos um contrato social que prega que o mais competitivo sobrevive e passamos muitas de nossas reuniões tentando sobreviver, quando não em eliminar o oponente que nos oferece risco. Contudo, eu pergunto: Trata-se realmente de sobrevivência ou somente é um apelo proveniente de um sulco cultural que foi se aprofundando no decorrer dos anos e que se entranhou como parasita em meio aos nossos mais primitivos instintos irracionais?

Na competição capitalista pressupostamente existem vencedores e perdedores. O perdedor “morre” então é coisa de sobrevivência.

O fraternalismo pressupõe outra dinâmica social. Contribuir e usufruir! Contribuímos com aquilo que nos é mais fácil, mais prazeroso, sobretudo com aquilo que temos mais competência e prazer. Usufruímos daquilo que necessitamos. Em épocas de vacas gordas, podemos nos esparramar na fartura. Em época de vacas magras precisaremos contribuir mais, Mas estaremos contribuindo com aquilo que nos é mais fácil e mais prazeroso. 


Jadir Mauro Galvão

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Que alternativa nos resta?

Capitalismo, tal qual o vivemos pressupõe graves diferenças sociais. (http://fraternalismo.blogspot.com/2009/08/o-jogo-da-vida_27.html ), não há dinheiro para todos. Caso se divida o montante de dinheiro existente teremos o mundo inteirinho miserável.
Devemos fazer como os USA e mandar a gráfica imprimir mais? http://blogs.estadao.com.br/celso-ming/tag/fed/  

Não creio que o modelo comunista, tampouco o socialismo sejam alternativas plausíveis. Essa foi a dificuldade que ensejou esse blog a nascer.

Que alternativa nos resta?

De fato com uma economia e ainda mais as relações entre as pessoas intermediadas pelo dinheiro se você ganha bem, de algum modo você esta tirando de outro. Não tem como ser diferente. Se dividir igual não da pra todo mundo. Tudo bem, mas eu dou um duro danado! E nem acho que ganho bem, só acho que é justo! Pouco importa! O fato é que tem alguém que ta com a bolsa vazia.

E se não precisar mais de dinheiro? Se as relações humanas não forem mais intermediadas pelo dinheiro? Por mais estapafúrdia que possa parecer, essa é a proposta do fraternalismo e convido a todos a ler os post’s anteriores a partir do mais antigo. Mas não sou eu o único maluco a pensar nisso. Comentando sobre essas idéias com outras pessoas, ratas de internet fiquei sabendo de um tal “Projeto Venus”. Procure na net por (Movimento Zeitgeist).  

A diferença é que no caso do Zeitgeist as relações são intermediadas pelos recursos. Não precisa mais da intermediação do dinheiro. Mesmo que não haja efetivamente dinheiro para todos, com a tecnologia de que dispomos em pleno sec XXI, é de se duvidar que não haja recursos suficientes para distribuir entre toda população. A dificuldade reside, olhando pela lente capitalista, de fazer chegar o recurso até todos. O transporte é caro! Tudo bem, não precisaria pagar nada! Olhando todo o desenvolvimento da idéia Zeitgeist e de como esta se propagando a idéia pelo mundo. A coisa pode realmente dar certo, se todos os pressupostos forem verdadeiros. Não se trata apenas de abolir o dinheiro, mas de mudar a mediação das relações humanas. Pessoas, países, blocos econômicos etc.

O risco que se corre é de que algum tipo de catástrofe natural ou não reduza a quantidade de recursos no planeta ou no ambiente econômico do projeto. O risco é o de voltar a aflorar nossa animalidade competitiva. O capitalismo fomenta a competitividade. Em si ela não é necessária. A diferença filosófica entre fraternalismo e a economia baseada em recursos do zeitgeist é que na segunda mudamos a intermediação do dinheiro para a intermediação dos recursos. Com mais recursos vindo do ganho de produtividade tecnológica e sem os “senhores” donos da produção, todos passam a ser ricos. Bingo! Acabou a pobreza, acabou a diferença social. Faltando recurso por algum motivo a dificuldade reaparece. Com o fraternalismo a coisa é outra. Supondo que tenhamos escassez de recursos, na medida em que mudamos o modo como olhamos para o outro ser humano. 

De modo fraternal, podemos abrir mão do supérfluo por algum tempo e consumir somente o necessário. O pessoal das minas do Chile passou por esse problema recentemente. Leiam sobre isso. Fora os filmes hollywoodianos que mostram o dia seguinte como sendo uma terra de “salve-se quem puder”. Podemos acreditar que dada uma eventual falta de recurso dificilmente teria uma duração tão grande para por em risco a vida na terra. Claro, vivemos uma grande dificuldade de poluição, mas nas outras postagems vocês poderão ver que muito desse problema advém diretamente do consumismo desenfreado pelo descartável alimentado pelo capitalismo.

Todavia, acredito que a discussão é interessante e cabe a todos inteirar-se sobre esses assuntos. De minha parte peço desde já a enorme simplificação que fiz do projeto Venus e do movimento zeitgeist. Como pedido de perdão coloco os link’s para que todos possam efetuar suas análises de modo autônomo.



http://www.zeitgeistmovie.com/   

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sobre mestres e anjos!

Deus nos incumbiu de nossa missão, de um propósito para nossa vida, ou nós o escolhemos, pouco importa, temos uma missão! Junto com essa missão viemos munidos de todos os dons, capacidades e recursos para iniciar nossa jornada, mas não para completá-la. Para isso precisaremos desenvolver inúmeras capacidade e criar as condições necessárias para o término dessa jornada. Por vezes nos perdemos em meio ao caminho e ficamos sem saber o que fazer ou aonde ir. Nesses momentos Ele nos envia anjos de luz para iluminar a direção, mas não o caminho. Até esse somos nós que temos de fazer. Desconfie de quem te mostra o caminho. Se o caminho já está feito ele é passado. Desconfie de quem quer te ensinar coisas. Se ele tem apenas diplomas em suas duas não terá como segurar o luzeiro. Se traz a experiência em sua bagagem ele traz apenas o passado, mas se carrega um luzeiro em seu coração pode não te ensinar nada, mas o ajudará a reacender sua chama interna. Confie em quem te traz luz. Confie em quem ilumina de modo a que seus próprios pensamentos possam criar o modelo e o caminho. O grande mestre não é aquele que te ensina, mas aquele que te acende a chama da criação dos seus próprios pensamentos. O grande tutor não é aquele que te carrega no colo todo o tempo, mas aquele que fortalece seus pés e te auxilia na transposição dos obstáculos. Mesmo nossos pais somente conseguem nos conduzir até o portal de entrada de nossas vidas. A partir desse ponto é por nossa conta. Muitos querem nos ensinar o que fazer, mas desconhecem nossa jornada. Não é possível conhecê-la ainda não a criamos. Mesmo nós enquanto líderes, devemos menos querer ensinar e mais inspirar o deus interior da cada um. Uma jornada de luz a todos. Aquele que tem luz, não teme passar pela escuridão.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sobre certo e errado!

Séculos de primazia da ciência nos conduziram a tornar um modo de ver o mundo, no modo correto de ver o mundo. De fato, não se pode questionar que o modo de ver o mundo pela ótica da ciência não seja correto. Todavia, também devemos lembrar que correto, verdadeiro, bem sucedido, fazem referência á uma expectativa. Não uma expectativa qualquer, mas uma expectativa específica, que busca fins específicos. Um fato não é correto ou não por si mesmo, mas somente mediante a uma expectativa. Um dado nunca é verdadeiro ou falso em si mesmo, mas sempre em relação á um conceito prévio. Tanto quanto uma ação é cercada de sucesso, na medida em que se tem um resultado pré-estabelecido e o esse gira em torno desse estabelecimento. Somente é verdadeira uma realidade quando esta se coaduna a um conceito prévio.
Os séculos que precederam a ciência tornavam toda e qualquer previsibilidade uma heresia. Prever o que poderia ocorrer na natureza era quase o mesmo que prever a vontade de Deus. Inda hoje restam resquícios dessa época quando se permite escapar expressões como: “Até amanhã, se Deus quiser!”. Pressuposto implícito de que se Ele, assim não o quiser, não haverá o até amanhã. Isso revela certa qualidade anímica em Deus, o que é absurdo. Deus não acorda de bom ou mau humor ou muda de idéia em dadas circunstâncias. A visão científica do mundo está lastreada em outro paradigma. Sem virar as costas para Deus apenas o repagina. Deus ao criar o mundo, o fez de modo a que este funcione de modo ordenado e inteligível. Ora, na medida em que somos imagem e semelhança de Deus teremos a capacidade de entender o funcionamento dessa ordem. Essa ordem racional das coisas revela com a qual Deus tudo fez é acessível à razão humana. Nossa razão apenas desvenda, na medida em que progride em seu conhecimento, a ordem que existe no universo.
À partir desse novo panorama, toda a ordem do mundo possível de ser alcançada pelo intelecto humano precisa ser perseguida. Tudo o que é previsível assim deve o ser. Tudo o que é suscetível de repetir-se se dá a ver aos olhos da ciência. O imprevisível, assim o é, somente na medida de nossa ignorância momentânea. Resta-nos desvendar o que é verdadeiro, o que é correto e qual a ação obterá sucesso sob as circunstâncias apresentadas. A partir de então a verdade não é mais revelada a algum sacerdote que mantém estreita relação com o divino, mas sim descoberta pela experimentação da ciência.
Outros modos de ver o mundo são agora proscritos. O artista revela um mudo ingênuo ou irreal. Na medida em que o revela tão somente como visão exagerada ou distorcida da realidade ou no mínimo como mera cópia inútil. Outro flanco da arte revela somente a ficção, ou seja, mera possibilidade fantástica e de qualquer modo irreal. O religioso transforma-se em hipótese improvável ou milagre particular. O artista é um distraído que se ocupa de coisas inúteis. O religioso somente é buscado como recurso do desespero ou ineficácia. Apenas como subterfúgio do incompetente. O problema é que isso assim posto retira do nosso dia a dia todo o sagrado e toda a beleza também.
O planeta, as pessoas e a vida estão agora cercadas de utilidade ou não. De produtivo ou não. A terra dando sinais de esgotamento de seus recursos faz a ciência buscar alternativas de outros planetas habitáveis. Os homens dando sinais de fadiga transformam-se meramente em fardos para a sociedade. Uma criança nasce e fazemos de tudo para que esta tenha o máximo de produtividade.
Sem mais delongas vamos ficar por aqui, mas não antes de deixar no ar algumas perguntas: Será mesmo útil relegarmos ao segundo plano tanto o belo quanto o sagrado? Será que a vida também não fica um pouco mais sem graça, sem encanto e sem sua magia? Será que toda a utilidade do previsível não retira a graça e a magia da surpresa?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Capitalismo emburrece!

Por conta de um velado jogo de conquista e manutenção do poder. Toda uma enorme gama de progressos a avanços da humanidade ficam privados. Vemo-nos às voltas com o insolúvel problema do trânsito em grandes metrópoles. Muitas são as pessoas envolvidas direta ou indiretamente em oferecer uma solução para esse problema. Cada um de nós já deve ter visitado uma ou outra das alternativas recorrentes, ou tido alguma idéia nova, mas pouco ou nada de realmente inovador foi proposto. Todavia existe um pressuposto bastante grande: a profunda falta de espaço físico. Sugeriram túneis, viadutos, veículos de transporte coletivo, que conseguiriam transportar grande número de pessoas ocupando o menor espaço possível e até agora isso é o que foi proposto. Contudo não nos damos conta de que ainda pensamos soluções para o problema ainda sem considerar que o vemos meramente como bi dimensional! Muitos de nós já viram no passado, ou até vêem hoje em alguns canais a solução do problema, mas ainda o vêem como ficção, como mero devaneio além do possível. Da solução proposta pelos Jetsons ( http://blogs.abril.com.br/sidneimoreiraconceitoscomdesign/2009/07/veiculo-aereo-individual.html ), a única tecnologia de que ainda não dispomos é a de transformar nossos veículos em pastas executivas! De resto, todas as tecnologias necessárias para explorarmos o espaço em três dimensões já existem. Que falte legislação a respeito um ou outro problema a ser sanado. Todo o investimento que já fazemos hoje em dia em construção de pontes, pavimentação de estradas e outros mais seriam mais que suficiente para viabilizar essa solução.
Outro ponto é: nossos modernos automóveis escondem debaixo de uma parafernália eletrônica o mesmo motor a explosão utilizado há mais de um século e meio! Poluente, barulhento e caro. Poucos têm notícias efetivas de alternativas, embora já tenhamos hoje a preço de ouro, veículos conceito com motores elétricos. De uma clicada nesse link para ter em fácil acesso uma grande alternativa que poucos conhecem: http://www.noticiasautomotivas.com.br/mecanico-brasileiro-inventa-motor-ar-comprimido/.
Ora, o grande entrave é indubitavelmente o econômico, ou pior, a manutenção da hegemonia do poder!
Mesmo a tecnologia da informação, tida como das mais avançadas ainda dormita meramente em duas dimensões! Nossos computadores são bi dimensionais, nossa TV, etc. Ou seja, mesmo nesse campo ainda estamos engatinhando.
O capitalismo produziu avanços? Sem dúvida! Sobretudo no campo bélico! Mas já não é hora de superarmos a barbárie da guerra e entrarmos em um novo ciclo?
Copenhagen termina com uma pergunta: Qual será o preço para termos um mundo sustentável? Nós perguntamos: Temos mesmo que efetuar essa pergunta? Que custe todo o dinheiro do mundo. De que me adiantaria um Real sem um mundo para gastar?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ecologia e entraves econômicos!

Muitos ainda não tem uma consciência sobre a urgência de uma mudança de atitude em relação à natureza e ao planeta. Quem sabe por acreditarem que esta preocupação com a ecologia e o meio ambiente seja meramente um modismo ou tema de discussão de pessoas que não tem muito o que fazer. O fato é que estas discussões vem ganhando espaço e adeptos. Pessoalmente acredito que o planeta de sinais de fadiga. Fato esse que nos afeta diretamente. Em resposta a poluição do ar que lança cada dia mais fumaça e particulas sólidas em suspensão, a natureza, não como vingança, mas sim como um modo de se restaurar lança chuvas intensas e que atormentam o bom andamente das atividades das metrópoles, gerando congestionamentos e, com isso o lançamento de mais poluentes na atmosfera, provocando um cabo de guerra onde saimos todos como perdedores.

Alguns já promoveram mudanças em sua atividade diária, sobretudo no que tange às práticas de reciclagem ou economia de agua. Cada dia mais é frequente que pessoas encontrem os coloridos cestos de reciclagem em seu caminho e os busquem de modo recorrente para descartar seu material. O próximo passo acreditamos que alguém vai dar conta, ou seja, que alguénm vai recolher este material e oferecer um fim adequado e limpo, livrando a natureza de montanhas de lixo que lerariam séculos para desaparecer. Compramos aquele shampoo biodegradavel, mas somente se após o uso o cabelo ficar bem ajeitado, caso contrário retornamos para o antigo. Ficamos em dúvida sobre o que fazer com o papel da bala! Por fora plástico, por dentro um tipo de alumínio, o que fazer? Onde jogar? E aquele papel alumínio que colocamos em volta da carne pasa assar de modo igual. Este é reciclável?

Reciclagem é realmente importante, contudo, haveria ainda espaço para abandonarmos a idéia do descartável? Hoje parece que com a produção em escala o comercio não mais se regula naturalmente pela oferta e demanda, mas sim pelo paradigma do descartável. A rapidez da vida urbana nos exige que tenhamos sempre ao alcance das mãos alguma comida em porções ideais, em embalagens descartáveis e que toleram o aquecimento em forno de microondas e que produzem para lavar, apos a refeição, quando muito um ou dois pratos e um ou dois jogos de talheres o resto é lixo, na certa.

Além dos alimentos outros tantos tipos de produtos seguem o mesmo modelo, quer isso se trate de sua real durabilidade ou, tão somente, pela moda. Produtos que compramos agora, ou quebram em no máximo um ano, ou caem de moda suplantado por outros com tecnologia mais moderna, design mais avançado, modelos mais elegantes. O durável caiu em desuso. Ninguém aguenta mais olhar para o mesmo sofá por mais de tres anos. O ciclo de vida de uma peça de roupa é curto. Companhias seguradoras sequer fazem seguros de carros com mais de 10 anos. Precisamos de outro! Até imóveis tem um tempo de durabilidade. Se o imóvel que estamos procurando serve bem às nossas necessidade, mas não tem o tal do “terraço gourmet”, não serve e precisa vir abaixo, sob o sério risco de abandono ou pior: desvalorização. E quando em determinados momentos a indústria ou o comercio sofrem com um pontual desabastecimento, não nos espantamos de que um certo ágio seja cobrado para a aquisição do produto em falta.

Grandes metrópoles sofrem sem espaços arborizados, mas como ocupar o espaço urbano? A competição é desleal! O mesmo terreno que poderia ser ocupado por uma porção de inúteis árvores é disputado a preços elevados por especuladores imobiliários que querem muito mais ver neste espaço um condomínio residencial ou um pequeno shopping estrategicamente localizado. Àrvores não geram empregos, não dão lucro, não giram a economia e ainda geram uma sujeira lascada com suas folhas, quando não alguns pequenos frutos que quando caem sobre a pintura perolizada de nossos carros, mancham-na e a cristalização de pintura está custando os olhos da cara!

O fato é que o paradigma do capipital e do lucro promovem uma desacertada inversão de valores e acabamos prescindindo de uma prática correta se ela der prejuizo. Tempos atras ocorreu uma onda de reclamações com a criação de uma tal taxa do lixo. Não fosse esta um claro expediente de engordar os cofres do governo para que este promovesse mais e mais obras de cunho eleitoreiro e seria eu seu mais ferrenho defensor. È preciso dar destino correto para nosso lixo e isso no modelo econômico atual custa dinheiro e olhe que não é pouco.

Muitos de nós conhecem a urgência de uma mudança de atitude, mas quantos estariam verdadeiramente dispostos a ações em prol de um mundo sustentável se para tal tivesse de arcar com sonoros prejuizos ou sacrificios? Quantos de nós estaria realmente disposto a pagar bem mais caro em um carro com motor ecologicamente correto? Quantos de nos estaria disposto a abrir mão do descartavel e ter de lavar mais louças e mais panelas? Quantos iriam encarar o mesmo sofa por mais de três anos sem entrar em desespero? Suportar uma temperatura elevada sem recorrer ao ar refrigerado? Por cálculos que não são meus: “somente o mundo em desenvolvimento precisará de mais de US$ 100 bilhões de dólares por ano até 2030”, para investir em um planeta viável. Ecologia pode custar caro, do ponto de vista econômico, mas sob este mesmo ponto de vista ficaria baratinho, baratinho, ou melhor não precisariamos gastar um centavo a mais do nosso orçamento para inviabilizar a vida no planeta. Resta-nos fazer nossa escolha: persistir em um dilema econômico ou mudar nossa relação com o planeta e abandonar a mediação econômica que temos com ele. Mudar o paradigma econômico por outro, fraternal. Facil é criticar os que derrubam árvores centenárias na Amazõnia, mas que alternativa econômica tem estes pobres coitados senão submeter-se aos mandos de um lobby de consumidores de madeira aliados a pecuaristas sedentos de espaço para o livre trânsito de sua preciosa matéria prima para os churrascos de fim de semana?












http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/08/31/onu+pede+acao+urgente+contra+mudanca+climatica+8191911.html



ONU pede ação urgente contra mudança climática
31/08 - 20:41 - Reuters
·
montaFerramentasMateria('Top') ;

· Imprimir
· Enviar
· Corrigir
·
·
· Fale Conosco
LONGYEARBYEN - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na segunda-feira que os líderes mundiais tomem medidas urgentes contra o aquecimento, pelo bem "do futuro da humanidade".
Em visita a Svalbard, arquipélago norueguês no Ártico, Ban disse que essa região pode não ter mais gelo dentro de 30 anos, caso a atual tendência climática persista.Ele tenta promover um acordo acerca de um novo tratado climático global, a ser definido na cúpula de dezembro em Copenhague. O atual tratado, chamado Protocolo de Kyoto, expira em 2012."Gostaria de chamar a atenção do mundo para a ação urgente a ser tomada em Copenhague. Não temos muito tempo a perder", disse Ban a jornalistas, a bordo de um navio da Guarda-Costeira norueguesa.Ban disse esperar que os líderes "concordem com um acordo global que seja abrangente, equitativo e equilibrado para o futuro da humanidade e o futuro do planeta Terra."O objetivo da cúpula de Copenhague é estabelecer limites rígidos para emissões de gases do efeito estufa e um mecanismo para a transferência aos países pobres de tecnologias destinadas a reduzir tais emissões.Ban disse que o gelo do Ártico está desaparecendo a um ritmo mais acelerado do que as geleiras de outras partes do mundo, acabando rapidamente com a camada branca que reflete o calor e evita que as regiões polares absorvam ainda mais calor do sol, o que por sua vez acelera ainda mais o aquecimento."As calotas de gelo polares são o refrigerador do mundo, ajudando-nos a nos manter frescos por refletirem tanto calor", disse à Reuters o ambientalista Lars Haltbrekker, diretor da entidade Friends of the Earth Norway."Alguns cientistas acreditam que já estamos em um ponto de virada, no qual até 2050 a concentração dos gases humanos (do efeito estufa) já presentes na atmosfera irão derreter o gelo do mar Ártico durante o verão."No verão boreal de 2007, a área coberta por gelo no Ártico atingiu o menor nível já registrado. Houve uma ligeira recuperação no ano passado, e neste ano deve ocorrer o terceiro menor nível da história, segundo cientistas.Se o clima permitir, na terça-feira Ban irá visitar um navio de pesquisas que analisa o gelo polar do Ártico ao norte de Svalbard.




Faltam recursos para conter mudança climática, diz texto do G20
04/09 - 12:11 - Redação com agências internacionais
·
montaFerramentasMateria('Top') ;

· Imprimir
· Enviar
· Corrigir
·
·
· Fale Conosco
LONDRES - O mundo precisa "urgente e substancialmente" levantar fundos para combater as mudanças climáticas, disse um esboço de documento preparado para uma reunião de ministros financeiros de todo o mundo, que ocorre em Londres nesta sexta e sábado.
· Participe da luta pelo acordo climático
· Brasil não fugirá da responsabilidade sobre clima, diz Lula
· Ban Ki-moon pede acordo climático rígido e alerta para desastre
· ONU pede que países ricos assumam responsabilidade sobre clima

O grupo do G20 evitou fazer estimativas em dólar, citando em vez disso um estudo do Banco Mundial segundo o qual somente o mundo em desenvolvimento precisará de mais de US$ 100 bilhões de dólares por ano até 2030.
O presidente dos EUA Barack Obama disse em julho que os ministros das Finanças devem apresentar relatórios sobre recursos para o clima na cúpula do G20 marcada para 24 e 25 de setembro em Pittsburgh, suscitando expectativas de avanços esta semana em Londres.
Os recursos para enfrentar as mudanças climáticas se dividem entre os necessários para reduzir as emissões dos gases estufa que alimentam o problema, e, de outro lado, aqueles necessários para preparar o mundo para enfrentar mais secas, enchentes e elevação dos mares. Os dois tipos são conhecidos respectivamente como mitigação e adaptação.
"Existe um grande abismo financeiro entre as necessidades projetadas e as fontes atuais de recursos," disse o documento provisório de 6 páginas ao qual a agência Reuters teve acesso na sexta-feira.
"Os recursos para a mitigação e a adaptação terão que ser aumentados urgente e substancialmente e devem mobilizar recursos para ajudar os países em desenvolvimento a tomar medidas, começando no curto prazo."
O relatório, não datado mas redigido após a cúpula do G8 em julho na Itália, foi mais específico em relação às opções para o setor privado. Isso pode desagradar a alguns países em desenvolvimento e grupos ambientalistas, que querem comprometimentos inequívocos dos governos para ajudar os países em desenvolvimento.
O relatório é favorável, por exemplo, aos mercados de carbono como possível fonte de recursos do setor privado, citando uma estimativa do Tesouro australiano segundo a qual o mundo desenvolvido poderia gastar US$ 80 a US$ 160 bilhões até 2020 com a redução de emissões em países em desenvolvimento, com isso ganhando o direito de poluir em seus próprios países.
A reunião do G20 faz parte de um calendário lotado de encontros que visam impulsionar as negociações da ONU para chegar a um novo tratado climático global em Copenhague em dezembro.
Com relação às finanças públicas, o documento levantou perguntas sobre como a conta climática deve ser dividida, por exemplo se países em desenvolvimento que crescem mais rapidamente também devem pagar, e se os compromissos ao nível de países devem ser decididos segundo critérios de riqueza nacional, emissões de carbono ou outros.
O relatório não mencionou que organismo global deve alocar o dinheiro. O nível de financiamento e sua alocação são questões complicadas nas conversações de Copenhague, em que os países em desenvolvimento pedem mais voz para determinar como são gastas as contribuições dos países ricos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O jogo da vida!

Cada um de nós vive sua vida “normalmente”: trabalhamos, compramos, buscamos novas oportunidades, nos divertimos, fazemos projetos, fazemos promessas, pedimos perdão por alguns excessos (por outros não!), vivemos esporadicamente sucessos e fracassos, dias de derrota e dias de glória. Contudo a maioria evita tanto uma quanto outra. Deixa a glória ou o fracasso para seus símbolos: seus ídolos do futebol, seus ídolos da música, da formula 1. Cabe a estes ousar, ser aguerrido, ser audacioso, fracassar na última curva, no último lance do campeonato, quebrar a corda da guitarra em pleno solo, cometer excessos! Vemos tudo isso, vibramos, criticamos, elogiamos, aplaudimos, vaiamos, mas no dia seguinte voltamos para nossa vida comum, onde não há espaço para a bravura, tampouco para o heroísmo. Não estamos salvando o mundo como ocorre a todo instante com os super-heróis. Os um pouco mais ousados e atrevidos, estudam, se atualizam, os outros vão para o happy hour. Alguns vão para o happy, apenas para fazer networking. Alguns buscam melhores oportunidades, outros preferem reclamar que elas não existem. Contudo estamos sempre jogando um jogo. Aqueles que correm maior risco, que podem chutar a bola para fora na hora “H”, estes ganham mais, muito mais, os outros acreditam que estes não deveriam ganhar tanto. Contudo compram suas camisas, vão vê-los no estádio, compram a camiseta com seu slogan e com isso fazem seus patrocinadores terem o sonhado lucro. Jogamos o jogo! Jogamos sem consciência de que estamos jogando. As regras já foram estabelecidas. Por quem? Voce hora ganha, hora perde, hora vai para o paredão e não se culpa por um ou outro lance que posa macular sua dignidade pois, foi por mera sobrevivência, não que a vida esteja em perigo, mas para a sobrevivência no jogo. Não conseguimos sequer pensar fora dos limites da regra do jogo. Jogamos o jogo! Mas de que jogo estamos falando?
Existe um muro. De um lado ficam os pobres, do outro os ricos. Os ricos empregam, os pobres são empregados, os ricos produzem, os pobres consomem. Uns precisam dos outros para que haja equilíbrio e perdure o jogo, mas como todo jogo, a maioria perde e a minoria ganha! Muitos estão buscando de um modo ou de outro pular para o outro lado do muro e entrar para o rol dos que ganham. Contudo, haveria espaço para que todos conseguissem ir para o outro lado? Não! Ou melhor, dentro desse jogo não! Então estamos, mesmo que de modo inconsciente, agindo no sentido de garantir que “nós” pulemos o muro, mas, sem saber agimos também para que alguém pule para o lado dos pobres de modo a garantir nosso espaço no outro lado, ou no mínimo que outros tantos não consigam como eu também mudar de lado. Quando isso ocorre, o que não é tão comum assim, passamos verdadeiramente para o outro lado. Agimos como ricos, nos vangloriamos de nosso esforço, de nosso empenho e desdenhamos dos que diferente de nós, não se esforçou. Muitos, contudo acreditam que precisariam abrir mão de sua ética e este seria um preço alto para pular o muro e não pulam. Ficam apenas jogando pedras do outro lado, mas continuam jogando, só que agora amargurando o ressentimento. Outros não se importam com isso e se esse for um caminho, tentam e lamentam da sorte, pois mesmo assim não conseguiram. Ainda não foi dessa vez! Avançaram uma casa no jogo e nela estava escrito: Volte duas casas! Jogamos o jogo!
Que alternativa nós temos? Não é possível virar a mesa ou derrubar todas as peças no chão como um mal perdedor o faria num jogo de tabuleiro, isso só é possível no jogo de bricadeirinha, mas só mostra como o jogador age na vida real. Sair do jogo não sei se é muito coerente. Conseguiríamos viver nossa vida sem internet, sem celular, sem casa, sem carro, sem pagar o supermercado? Acho que não dá para sair do jogo e simplesmente ficar criticando os que jogam. Pelo voto, pela guerra, pelo protesto? Xí, já vimos estes filmes e não acabam bem! Que alternativa temos?
Ao nos depararmos com esta pergunta pode parecer familiar enxergarmos à nossa frente uma via mais tortuosa, outra mais aprazível, embora pouco ética, outra mais escura e que nos provoca medo e outras tantas um tanto mais obscuras e enevoadas que poderiam eventualmente ser alternativas, mas prestem atenção: se são caminhos que voce consegue vislumbrar já foram pensados por alguém. Já fazem parte das alternativas da regra do jogo em questão. A idéia aqui é não é propor uma alternativa “A” ou “B”. Pegue em sua mão uma folha de papel em branco e olhe para ela. Alguns podem dizer que não há nada nela. Contudo um artista vê no papel em branco todas as possibilidades de expressão de sua arte. Um escritor não pode escrever em uma folha toda rabiscada com esboços ou por sobre um livro já escrito. Ele precisa de uma folha em branco. Esta é a mágica! Imagine-se perante seu futuro, não apenas diante de uma via ou outra, mas diante de um papel absolutamente em branco. Claro, voce pode optar por preencher este papel com um monte de coisas já conhecidas e elas simplesmente serão meras cópias, mal acabadas, recriações do mesmo jogo. mas voce pode criar algo genuinamente novo. Contudo vai perceber quando tiver uma grande idéia que vai ter de viabilizar esta idéia por dentro do jogo. Vai vencer o jogo, quem sabe, derrubando o muro. Vai utilizar as regras do jogo, mas não com os mesmos propósitos. Vai ter que enxergar por um outro ponto de vista. Vai ter de enxergar para além do jogo. E quando conseguir isso vai ter todas as cartas não mão para vencer o jogo e vai ter de optar entre vencer o jogo ou ser um agente transformador. Alguém que pode entrar para a história como herói, mas pode entrar na história como vilão, caso consiga mudar o jogo, mas caso não consiga o jogo certamente vai fazer voce desaparecer da história. No entanto, sinto muito em te dizer, voce pode achar que eu sou um herói ou um vilão, mas não vai poder nunca mais dizer que não sabe que esta jogando um jogo. Que postura voce terá frente a isso cabe à sua consciência. Coube à minha consciência abrir os olhos para esta verdade. Esta é uma de minhas tarefas, mas não quero estar sozinho neste jogo, mas já estou de mangas arregaçadas para mudar o jogo. Tenho propostas e vou colocar minhas cartas na mesa. Não é importante se vou seguir ou ser seguido. O plano é maior do que meras vaidades. O plano é suplantar um jogo que permeia as relações humanas por intermédio do dinheiro do interesse e da utilidade e estabelecer uma nova relação. Uma relação mediada por um sentimento de fraternidade que nem sei se está maduro o suficiente na humanidade para desabrochar. Mas sei que já o momento de levantar estas questões para que estas possam abalar num primeiro momento, não o jogo, mas o coração dos jogadores para que vejam o jogo e depois possam ver o jogo de modo diferente.

Eu tenho um sonho

Martin Luter King deixou seu nome gravado na história quando diante de um público teve a coragem de dizer: “Eu tenho um sonho...”. Era o sonho de um líder visionário que queria transformar o mundo. Ele morreu... seu sonho não! Muitas vezes a burocracia nos assalta, nos reprime, tolhe a criatividade. Contudo precisamos enxergar que o que fazemos dentro de uma sala de aula repercute para além delas. Se nos sentimos vigiados, podemos com isso tolher nossas iniciativas ou escolher bravamente dizer o que temos dizer. Podemos fazer o que esperam de nós, ou escolher fazer o melhor independente do que, ou quem espera.

Muitos em sua juventude alimentaram o sonho de transformar o mundo. Alguns desses sonhos morreram, alguns desses jovens morreram, alguns envelheceram e com eles seus sonhos. Muitos acreditaram que eram pequenos ante o tamanho do mundo e se apequenaram. Eu acredito que precisamos nos engrandecer!

Somos lapidários! O lapidário não coloca o brilho nos diamantes apenas o faz aparecer. Não temos de “formar” alunos, posto que formar é dar forma ao que não tem ou dar outra forma ao que já tem. Uma forma que acreditamos ser adequada a um ou outro fim. Precisamos apenas revelar o brilho que já existe dentro de cada um. Podemos nos sentir fiscalizados, ou podemos sentir que alguém cuida com o devido zêlo das pedras preciosas que tem em sua mão, confiando seu precioso legado a mãos hábeis!